Itamar Assumpção, Sonic Youth e Venom só podem pactuar no universo musical do Seu Juvenal. Nenhum outro rock seria tão errado para permitir um encontro politicamente incorreto como esse.
De fato, o Seu Juvenal vem traindo movimentos desde que foi formada em 1997. E "Rock Errado", o elogiado novo LP da banda, vem mantendo viva essa tradição, tanto é que tem representado um desafio para alguns jornalistas respeitados. Segundo o experiente João Messias Jr. do New Horizons Zine, “Rock Errado” foi o álbum “mais desafiador de ser resenhado em 20 anos de profissão”. Outro respeitado jornalista, Vitor Franceschini, do Arte Metal, teve a mesma reação: “Quando ao ler o release me deparo com a frase “...obstinado a trair movimentos”, já me preparei para a complexidade de se resenhar este trabalho”.
Mas se "Rock Errado" mantém viva uma tradição - para muitos, maldita -, tudo teve início com os trabalhos antecessores, "Guitarra de Pau Seco" de 2004 e "Caixa Preta" de 2008.
Há muito fora de catálogo em seus formatos físicos originais, o Seu Juvenal decidiu disponibilizar os dois trabalhos na íntegra no Youtube. A ideia é que o público que conheceu a banda apenas mais recentemente através de "Rock Errado", possa ter uma dimensão completa da habilidade desses mineiros de sempre transitarem pela contramão.
Para Renato Zaca, baterista do Seu Juvenal, "Guitarra de Pau Seco" se destaca pela pluralidade de intenções e texturas musicais.
"O 'Guitarra de Pau Seco' foi produzido por Ronaldo Gino em 2003 no estúdio Serrassônica em Belo Horizonte e lançado em 2004. Esse disco traz três guitarras, baixo, bateria, trompete e três vocais divididos entre seis integrantes. O disco tem momentos hardcores como "U.S.A. e Indigestão", coisas mais noise e experimentais, como os 10 minutos de "Clitóris Canibais", e leves melodias como "Filhos do Seu Juvenal". O trompete e a voz de Arthur Tito é uma das principais características sonoras desta fase do Seu Juvenal".
Já para Bruno Bastos, "Caixa Preta" é um disco especial, já que marca sua entrada na banda como vocalista.
"Havia acabado de entrar para a banda e tínhamos urgência em gravar. Fizemos um home studio na casa do Edson Zacca e mandamos ver. Acabou ficando um pouco 'low fi', mas isso foi meio que proposital e ajudou com que o disco ficasse com uma sonoridade peculiar. Muita coisa foi criada em cima da hora e misturamos isso com músicas mais antigas, uma fórmula que também usamos em Rock Errado".
Para ouvir "Guitarra de Pau Seco", acesse:
Para ouvir "Caixa Preta", acesse:
As novidades dos Juvenais não param por aqui. A banda acabou de lançar seu site oficial no endereço www.seujuvenal.com.br.
Através desse novo canal oficial o Seu Juvenal pretende não só concentrar todo material online relativo ao grupo, mas disponibilizar conteúdos exclusivos aos fãs.
Parecia pouco provável que uma banda fizesse sucesso reunindo, no mesmo prato, influencias de Itamar Assumpção, Sonic Youth e Venom
Se antes o sucesso vinha através de um contrato com uma grande gravadora, hoje qualquer artista pode estudar a cartilha do chamado "music business" e conseguir vários "Likes" por aí. Uma banda com um bom nome, músicos de boa aparência e figurino caprichado que rendam boas fotos, além de, claro, boas músicas, bem gravadas, voltadas para um nicho do mercado em alta e compartilhada através das principais redes sociais. Essa receita simples, porém eficaz, tem feito a diferença.
Mas o que dizer de uma banda que não tem contrato com uma grande gravadora e não consegue seguir nem metade dessa receita? Afinal, não dá para dizer que "Seu Juvenal" seja um bom nome de banda (pelo menos chega a ser melhor que o anterior: Os Donátilas Rosários). Boa aparência também não é o forte dos músicos do Seu Juvenal, por mais que eles se esforcem. Mas, embora esquisito, o som é muito bom!
E como não achar esquisita uma banda que reúne, no mesmo prato, referencias de Itamar Assumpção, Sonic Youth e Venom? O resultado disso é um som muito punk para ser metal e muito vintage para ser indie. Impossível categorizar ou encontrar um nicho de mercado para o Seu Juvenal! Se não fosse o bastante, a gravadora da banda - sim, eles tem um contrato! - numa atitude tão esquisita quanto, decidiu lançar o novo álbum, ironicamente intitulado "Rock Errado", no formato LP em meio ao 'boom' da música digital.
Qualquer mineiro acharia pouco provável que um trem desses desse certo, sô. Mas não é que deu! Ou não? Entre o certo e o errado, a verdade é que a imprensa especializada - talvez cansada de tanta receita de bolo - tem aprovado essa "culinária experimental" do Seu Juvenal.
Gravado em apenas quatro dias no Lab.áudio em Passagem de Mariana/MG, sob produção de Ronaldo Gino, também guitarrista do Virna Lisi, "Rock Errado" vem colecionando declarações surpreendentes. Um dos mais respeitados e tradicionais sites especializados em punk rock, o Zona Punk publicou uma excelente resenha sobre o álbum recheada de declarações como “Música autoral inteligente” e “Rock transgressor, adulto e errado como deve ser”. Já o metaleiro Heavy And Hell publicou que o álbum é “Brilhante”, enquanto que o site Outro Indie traçou uma paralela entre “Rock Errado” e a obra do sociólogo Zygmunt Bauman: “fundamental para quem gosta de pensar em termos como a sociedade líquida”.
Outras declarações super positivas incluem: “Seu Juvenal é Rock Errado, é música da melhor qualidade! Um raro sinal de inteligência no meio do Rock nacional” (A Música Continua A Mesma); "(...) um novo ângulo do gênero, um novo timbre, novos horizontes. O 'Rock Errado' que nos leva ao certo" (Riff And Destroy); “(...) para deixar nos ouvidos algo curioso e novo no repetitivo mercado musical nacional da atualidade” (Consultoria do Rock); "(...) produção impecável (...) trabalho primoroso e de muito bom gosto" (Heavy Metal Brasil); "(...) banda madura que acerta na escolha do repertório, fugindo das fórmulas fáceis... O rock pode estar errado, mas o Seu Juvenal não está..." (Blog Na Mira);
Mas o grande “erro” de “Rock Errado” é representar um desafio para alguns jornalistas respeitados. Segundo o experiente João Messias Jr. do New Horizons Zine, “Rock Errado” foi o álbum “mais desafiador de ser resenhado em 20 anos de profissão”. Outro respeitado jornalista, Vitor Franceschini, do Arte Metal, teve a mesma reação: “Quando ao ler o release me deparo com a frase “...obstinado a trair movimentos”, já me preparei para a complexidade de se resenhar este trabalho”.
O sucesso de crítica tem revertido em vendas. Poucas cópias da primeira prensagem em LP de “Rock Errado” estão disponíveis pelo site da Sapólio Rádio: www.sapolioradio.com.br
Para os que ainda não conhecem a banda, o videoclipe da música "Burca" está disponível no Youtube:
Como eles mesmo dizem, a banda Seu Juvenal toca um rock and roll "errado", isto é, totalmente fora dos padrões "politicamente corretos" . A banda nascida em Uberaba, triangulo mineiro, no ano de 1997, completa 18 anos de estrada, trás na sua bagagem muita história e o rótulo de "esquisitos", porém que fazem um rock and roll marcante e clássico. Lançam esse ano o seu terceiro álbum e o melhor de tudo, única e exclusivamente em vinil. O protesto da banda está presente em suas canções de uma forma bem exposta e perceptível, onde falam sobre a crise do homem moderno perante o mundo digital, as guerras que nunca cessam, a solidão urbana, as crianças abandonadas, o politicamente correto e suas conseqüências, além, é claro, do assunto mais mal cantado do planeta: o amor. Se é errado ou não, curta a banda Seu Juvenal nas redes sociais e fique sabendo sobre os lançamentos da banda bem como suas novidades.
Saibam mais sobre a banda e seu álbum "Rock Errado":
Muito punk para ser metal e muito vintage para ser indie. O Seu Juvenal é daquelas bandas de rock que, na falta de um adjetivo melhor, você chamaria de esquisita.
Formada em Uberaba, Triângulo Mineiro, em 1997, antes eles atendiam pelo nome de Os Donátilas Rosários. Como não recebiam muitos convites para shows por serem considerados "estranhos demais", acabaram mudando para Seu Juvenal.
A primeira demo, “Cyberjecas no Sertão da Farinha Podre”, saiu logo no ano seguinte e foi gravada em São Paulo sob produção de Rainer Tankred Pappon (Central Scrutinizer Band).
Eis então que surgiram shows, festivais, mais demos e participações em coletâneas. A banda também gravou dois discos, "Guitarra de Pau Seco" de 2004 e "Caixa Preta" de 2008, e acabou transferindo-se para a cidade de Ouro Preto/MG onde chegou à formação atual.
Passados quase 20 anos, hoje o Seu Juvenal encontra casa cheia toda vez que se apresenta em Uberaba, mesmo sendo a mesma banda estranha e esquisita de antes.
"Nós não somos bonitos e nem coloridos. Não tocamos na rádio e não nos enquadramos em nenhum segmento. Fazemos rock do jeito errado para os padrões do politicamente correto", é o que diz, em tom urgente, o baterista Renato Zaca.
"Rock Errado", título do novo álbum do Seu Juvenal, não poderia ser mais apropriado. O disco foi gravado em apenas quatro dias no Lab.áudio em Passagem de Mariana/MG, sob produção de Ronaldo Gino, também guitarrista do Virna Lisi. ”Nós já gravamos duas vezes em São Paulo e uma vez em Belo Horizonte e em todas estas ocasiões, mesmo tendo ao nosso redor um arsenal de equipamentos, não tivemos a tranquilidade necessária para dar o nosso melhor”, explica o guitarrista Edson Zacca. “Desta vez, além de termos uma sala e equipamentos muito bons, tivemos um produtor que já conhecia a banda, pois já havíamos trabalhado com o Ronaldo Gino no disco "Guitarra de
Pau Seco". Em "Rock Errado" ele veio trabalhando com a gente desde a pré-produção.”
TRACKLIST:
LADO A
1- Homem Analógico
2- Free Ordinária
3- Antropofagia Disfarçada
4- Asfalto
5- Louva-A-Deus
LADO B
1- Um Dia de Fúria
2- Rock Errado
3- Moleque Dissonante
4- A Chuva Não Cai
5- Burca
A boa interação da banda com o produtor é reflexo do sistema democrático de composição no Seu Juvenal. Em “Rock Errado”, todos os músicos assinam como compositores.
“As composições nascem quase sempre da mesma forma”, conta Zacca. “Alguém chega com uma base, com ou sem letra, e tudo começa. Geralmente a base vem primeiro. O interessante é perceber que cada um de nós tem um estilo bem próprio de compor que, quando somado, gera este som estranho e cheio de referências que é o Seu Juvenal”. “Rock Errado” é mesmo de uma extensão musical e tanto. Ao ouvir o álbum é possível encontrar elementos do punk, metal, indie, classic rock, grunge, stoner, etc. Segundo Zacca, o Seu Juvenal é uma banda obstinada a trair movimentos.
“Ninguém sabe ao certo qual será a sonoridade do próximo disco do Seu Juvenal. A cada disco traímos algum movimento. Tem muito de Melvins, Butthole Surfers, Fugazi e Pixies neste disco. Bandas que conseguem ser pesadas e ao mesmo tempo leves. "Um Dia de Fúria" e "Antropofagia Disfarçada" têm muito peso, mas sem aquela distorção e os trejeitos já tradicionais do metal. Sons como "A Chuva Não Cai" e "Asfalto" possuem um lirismo que nunca a banda tinha experimentado antes. Também conseguimos colocar no caldeirão nossas influências de Buzzcocks, New York dolls e Free em músicas como "Rock Errado", "Homem Analógico" e "Free Ordinária". Já nas letras, e no nosso jeito de cantar, é onde nossas influências brasileiras estão presentes. Jards Macalé, Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé e Titãs são nossos professores de como colocar letras em português no rock'n' roll.”
Falando em letras, a pluralidade musical do Seu Juvenal também estende-se para esse campo, embora eles não tenham dificuldade em apontar seus temas preferidos. “Nos inspiramos pelos fatos do momento”, conta Zacca. “Não conseguimos viver de passado e nem ficar viajando em letras psicodélicas. Neste disco os temas são muito urgentes e presentes. A crise do homem moderno perante o mundo digital, as guerras que nunca cessam, a solidão urbana, as crianças abandonadas, o politicamente correto e suas conseqüências, além, é claro, do assunto mais mal cantado do planeta: o amor!”
Baseado numa ideia de Renato Zaca, a capa de “Rock Errado” é assinada por Dinho Bento.
”O Renato tava pirado nesta história de se fazer um disco politicamente incorreto. Ele então fez uma foto de um boneco todo arregaçado, com uma agulha no braço, um cigarro na mão e vários outros detalhes terríveis e mandamos essas ideias cruas para o nosso parceiro Dinho Bento e ele nos devolveu esta capa. Ele propôs que em vez da criança estar derrotada, ela estivesse é mandando um foda-se bem dissonante como diz a letra da música. E em vez do tabaco, um tiúris. Continuou politicamente incorreta, mas passou força e energia positiva. É, na verdade, um pequeno Seu Juvenalzinho irado e inconseqüente”, contou Zacca.
“Rock Errado” ainda traz uma imensa lista de convidados especiais. ”Como gravamos praticamente em casa, foi natural termos os amigos presentes. Todas foram marcantes. Mas destaco a participação do Manu Joker na faixa título. É uma música bastante punk 77 que o Renato trouxe praticamente pronta pro ensaio. Ao escuta-la, na hora lembramos do estilo vocal do Uganga. Ninguém teve dúvida de que ficaria muito bom”.
Duas músicas de “Rock Errado” já ganharam videoclipes. Com a direção de Marcello Nicolato,
o clipe de “Burca” conta com a participação da atriz Nina Caetano. Já “Asfalto” traz imagens das ruas de Belo Horizonte e Ouro Preto feitas pelo diretor Julliano Mendes sob a concepção de "vídeo-poesia".
"Rock Errado" foi lançado exclusivamente em vinil pela gravadora Sapólio Rádio.